Pessoa sobrecarregada por excesso de informações digitais e notícias.

Cansaço informativo: quando estar por dentro de tudo adoece

Estar informada sobre o que acontece perto e longe, acompanhar os assuntos que ganham destaque na mídia, é mais que uma obrigação profissional para mim. Eu gosto mesmo de estar atualizada.

Além disso, enquanto cidadã, acho que é meu dever procurar saber, ainda que superficialmente, sobre os fatos políticos, ambientais e sociais em evidência, que impactam a vida de todos nós. Por exemplo: decisões do Judiciário, projetos do Congresso Nacional, ações das prefeituras, mobilizações comunitárias e avanços tecnológicos. Enfim, assuntos de interesse público, ou que ao menos deveriam ser. Aquilo que julgo mais relevante, pesquiso a fundo e fico de olho nos desdobramentos.

As notícias chegam de diversas formas, linguagens e telas. Televisão, rádio, sites, newsletter, aplicativos, mídias sociais, tem para todos os gostos. Vejo um pouco de tudo, até para conhecer como as informações estão sendo transmitidas, já as novas tecnologias estão avançando em velocidade máxima. 

As notícias chegam de diversas formas, linguagens e telas: televisão, rádio, sites, newsletters, aplicativos, redes sociais. Há opções para todos os gostos. Consumo um pouco de tudo, até para conhecer diferentes canais de informação, já que as tecnologias avançam em velocidade máxima e há sempre novidades.

O perigo do excesso

Entretanto, embora goste de estar antenada, além de ser uma prerrogativa da profissão, noto que o excesso de conteúdo, principalmente negativo, sobrecarrega meu sistema imunológico.

Representação simbólica de excesso de informações afetando a mente.

Estar em contato constante com reportagens sobre violência, tragédias e injustiças me causa mal-estar, tanto como consumidora quanto como porta-voz dessas notícias.

É bem verdade que faz parte do trabalho do jornalista causar indignação, incômodo, reflexão e chamar atenção para os fatos. E, ao reportar, não apenas provocar o outro, mas também para nós mesmos. 

Por outro lado, antes de sermos jornalistas, somos humanos. Ao sermos a voz daqueles que não são ouvidos, por mais que tentemos manter uma certa distância, somos inevitavelmente tocados pela dor alheia.

Para o jornalista, a fuga é ainda mais penosa, pois estamos imersos no universo das notícias. Afinal, essa é a nossa matéria-prima: somos produtores de conteúdo e, para isso, consumimos uma grande quantidade de informação.

Diante de tantas notícias tristes e revoltantes, tanto como profissional quanto como espectadora, sinto o corpo reclamar. Chego a ficar por dias abatida, angustiada, sem me dar conta, inicialmente, do que causou tal reação.

Capacidade de armazenamento

Um estudo da Escola de Comunicação da Universidade do Sul da Califórnia, publicado em 2011 na revista Science, revelou que recebemos diariamente informações equivalentes a 174 jornais. Em 1986, esse número era cinco vezes menor. Veja o que diz o levantamento:

“Estimamos a capacidade tecnológica mundial para armazenar, comunicar e computar informações, monitorando 60 tecnologias analógicas e digitais entre 1986 e 2007. (…) A capacidade de computação cresceu a 58% ao ano. A maior parte da nossa memória tecnológica está em formato digital desde o início dos anos 2000 (94% digital em 2007).”

Se em 2007 os dados já eram alarmantes, imagine hoje, quase 16 anos depois, com toda a evolução tecnológica, agora impulsionada pela Inteligência Artificial. Talvez estejamos expostos a muito mais do que nosso organismo consegue suportar.

Na minha pesquisa sobre o tema, encontrei ainda os termos infodemia e FoMO (fear of missing out) — mas isso é assunto para outro post.

Intervalos da sanidade

Pessoa relaxando ao ar livre, desconectada do mundo digital

Para minha sobrevivência, ao perceber que o volume de informações está me prejudicando mental e fisicamente, recorro a pausas e crio filtros imaginários. Salvo em situações de trabalho, simplesmente me desligo de tudo que esteja drenando meu bem-estar — notícias, filmes, músicas, redes sociais — por um período, até me sentir “desintoxicada” e mais fortalecida.

Não significa se alienar da realidade, mas sim evitar temas que afetam diretamente o emocional. É uma espécie de limpeza energética, organização de pensamentos. Um tempo para acalmar a mente e selecionar, com mais critério, o que vai nutrir o cérebro.

O que pesa mais?

Balança equilibrando saúde mental e excesso de informação.

É certo que a informação vale ouro, mas na medida certa. O bombardeio delas pode ser adoecedor, e é bom lembrar que é a saúde que precisa estar em dia. Encontrar o equilíbrio é mais fácil na teoria do que na prática, mesmo assim, é necessário.”

Proteger-se das avalanches de dados pode evitar que sejamos mais um nas estatísticas de esgotamento. Priorize o que te acrescenta e te faz bem. Descarte o que contamina. Filtre o que consome. Cuidado com a falsa sensação de estar bem informado sobre tudo. Tempo de qualidade e saúde mental são ainda mais preciosos, e cada vez mais raros.

Ficar off de vez em quando tem suas vantagens. Esses são os conselhos que dou a mim mesma para me convencer a me preservar dessa overdose de conteúdo disfarçada de “conhecimento” — e não me deixar contaminar por ela.

Leia também:
O mundo em velocidade 2.0X. Você tem pressa para quê?
Escolhas nossas de cada dia

Compartilhe Adriana Cardoso Jornalista
0 0 votes
Classificação
Se inscrever
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais antigo
Mais novo Mais votados
Comentários em linha
Ver todos os comentários
Novidades blog Adriana Cardoso Jornalista
Série Não estou morta!
Sabemos aproveitar as boas oportunidades? Série 'Não estou morta!' me deixou reflexiva
Nos 30 minutos de folga que tínhamos para jantar no domingo à noite, antes dar início aos exaustivos...
Ler mais...
Resolucoes-de-Ano-Novo
Resoluções de Ano Novo 
Eis que ele chegou. 2024 está aqui, pronto para ser vivido. O que você pretende fazer? Quais são as suas...
Ler mais...
O-que-voce-fez
Então, o que você fez este ano?
O Natal  passou, mas a pergunta continua latejando na minha mente: então, o que você fez este ano?...
Ler mais...
Ver mais