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Então, o que você fez este ano?

O Natal  passou, mas a pergunta continua latejando na minha mente: então, o que você fez este ano? Bem, não fiz exatamente o que planejei, porém pelo cansaço que estou sentido, fiz coisa pra caramba. Será que me sinto assim porque estamos nesse clima de fim de ano, e nessa época temos a impressão de que estamos todos esgotados? 

Por outro lado, se é o fim de um, no segundo seguinte é o início de outro. Será que assim que começar 2024 me sentirei mais disposta, energizada pela renovação trazida pela data? Será que a transição de um ano para o outro é tempo suficiente para descansar de 12 meses intensos e se sentir pronto para recomeçar?

Qual é a mágica que a virada de um ano tem de fazer com as pessoas simplesmente vibrem energias positivas? E que nos faz esquecer a exaustão de meses e nos encher de otimismo e esperança de viver dias melhores? Não sei você, mas é exatamente assim que me sinto. É como se, à meia-noite de hoje, eu pudesse receber uma onda de boas vibrações emanadas por todo o mundo, capaz de atingir todos os seres. 

Na minha opinião, a mágica é justamente essa vibração positiva emitida e sentida no planeta. As boas vindas ao novo alivia o cansaço por um tempo e recebemos ou produzimos um injeção de ânimo, torcendo para que ele venha carregado de leveza e prosperidade.  

Na minha opinião, a mágica está justamente na vibração positiva emitida e sentida no planeta. As boas-vindas ao novo aliviam o cansaço por um tempo e dão uma injeção de ânimo, enquanto torcemos para que o recém-nascido venha carregado de leveza e prosperidade.  

Esse ano eu não morro

A música ‘Sujeito de sorte’ de Belchior ilustra bem o que estou querendo dizer sobre a sensação que o novo ano me causa.  

Veja os versos:

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro

Música Sujeito de sorte (1976) – interprete Belchior (1946 – 2017) – álbum Alucinação (1976) 

A parte mais significativa para mim são as frases “E assim já não posso sofrer no ano passado” e “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”.

É como se todo o sofrimento de um ano ficasse restrito a ele e não pudesse seguir para o próximo. À meia-noite é o limite; depois disso, nasce uma expectativa absurda de que os dias serão melhores, mesmo que eles não venham a ser. 

Retrospectiva

Refletindo sobre essa expectativa de que o próximo será melhor, surgem-me as perguntas: De onde vem o nosso cansaço de 2023? Por que esse querer de que um ano termine? Será que é o ano mesmo que queremos que acabe, ou será apenas um forte desejo de mudança? Mudança essa que poderia ser feita a qualquer tempo, mas que aparentemente ganha força no primeiro dia do ano. 

Concordo que 2023 pegou pesado. Em uma breve retrospectiva, enfrentamos conflitos políticos, tragédias naturais e também aquelas provocadas pela ação humana, guerras, perdas doloridas e luto pelos inocentes, injustiças. Sim, muita tristeza assolou o planeta. Entretanto, esse mesmo 2023 trouxe vitórias, pódios, progresso, evolução tecnológica, visibilidade, reconhecimento e orgulho dos nossos, reencontros, solidariedade, além de ser o primeiro ano completo sem o assombro da Covid19. 

Fácil não foi, não foi mesmo, nunca é. Porém, mais foram os momentos que renovaram a esperança e que fortaleceram a vontade de continuar lutando. Mesmo que, para alguns, tenham sido pequenos e poucos, esses momentos se tornaram grandes e suficientes para nos resgatar do sofrimento e nos dar motivos para não desistir de alcançar o melhor.

Diante dessa reflexão, voltam-me as questões: Então, o que você fez este ano? O que você fez com o que 2023 lhe entregou? O que lhe deixou tão cansado de 2023? Qual é o resultado quando você avalia seu 2023? O que você carregará para 2024? O que você fará diferente no próximo ano? 

O renovo

Na minha retrospectiva pessoal, 2023 não foi como imaginei que seria, principalmente do segundo semestre em diante. No entanto, sei que fiz muita coisa. Fiz o que consegui fazer, fiz o que foi preciso ser feito e me permiti, sem culpa, descansar quando necessário. 

Obviamente, gostaria de ter sido mais produtiva e alcançado as metas que tracei. Não deu. Paciência. Ao invés disso, conquistei outras coisas tão importantes e significantes quanto as que buscava. Se mal dou conta do planejado para o dia, por que me cobraria por planos de 12 meses? Jamais. Aceitei, não de tão bom grado, admito, mas aceitei os limões que 2023 me deu. 

Enfim, quando me pergunto: “Então, o que você fez este ano?” Minha resposta é: eu vivi, eu vivi tudo que tinha pra viver nessa fase. Eu aprendi o que tinha para aprender, principalmente sobre mim mesma. Conheci a minha versão 4.0.  E, convenhamos, viver, progredir, evoluir, aprender, autoconhecimento e afins, é uma jornada exigente, dolorosa, exaustiva e, ao mesmo tempo, extremamente revigorante.

Estou cansada sim, mas valeu a pena cada segundo de 2023. Isso é também meu desejo para 2024: viver intensamente todos os momentos e, ao chegar no final dele, ter o sentimento de que fiz bom uso do meu tempo. À meia-noite, vou apenas agradecer a 2023 e renovar meu compromisso com a vida, dessa vez sem metas opressoras.

Curiosidades
  • Sobre a autoria frase “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”, há algumas discussões. Em 2021, o jornalista Phelipe Caldas fez uma reportagem para o G1 Paraíba a respeito dessa história.
  • Os versos da música “Sujeito de sorte” foram incluídos no álbum “AmarElo” de 2019, do rapper Emicida. As duas versões (Belchior 1976 e Emicida 2019) são maravilhosas.
  • Ah, só uma curiosidade mesmo. No final de 2019, fiz uma reportagem em que as pessoas se diziam cansadas e não viam a hora da chegada 2020. A matéria era sobre os feriados que teriam naquele ano. Acredito que, se soubéssemos que uma pandemia nos aguardava no tão esperado 2020, talvez não estaríamos tão ansiosos pelo fim de 2019 na época.
  • Achei um vídeo dessa matéria; está com a qualidade bem ruim, mas acho ilustre sobre as expectativas de um novo ano.
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