Reportar é entregar informação em notas curtas, boletins rápidos, matérias enxutas ou reportagens mais elaboradas. No entanto, entre todas as formas de comunicar, é na reportagem que encontro a parte mais viva do jornalismo.
Afinal, foi a reportagem que me abriu portas e me levou a pessoas e lugares que, de outra forma, eu talvez nunca tivesse conhecido. É nesse espaço que colhemos a matéria-prima do ofício: o que escutamos, o que vemos, o que sentimos. Desse modo, transformamos emoção e indignação em palavras, imagens, linhas de texto ou segundos de tela. E, nesse processo, temos o privilégio de contar histórias que não são nossas, mas que passam a ser, por instantes, também nossas.
Ser repórter é, acima de tudo, ser tradutor da realidade. É confirmar o que o pauteiro já apontou, selecionar o que merece ser divulgado e entregar o roteiro do quebra-cabeça que será montado por editores de texto, vídeo ou diagramadores. Além disso, o repórter é, ao mesmo tempo, um pouco pauteiro, um pouco editor. Em tempos de redações cada vez mais enxutas, essas funções acabam se entrelaçando ainda mais.
A reportagem, por sua vez, tem estrutura própria. No jornalismo impresso, ela se expande em textos longos, detalhados, com fotos e infográficos. Já na televisão, divide-se em off, sonoras e imagens. Enquanto isso, no ambiente digital, ganha hiperlinks, interatividade e recursos que multiplicam as formas de contar uma mesma história.
Muito além da matéria
A matéria é objetiva, curta, informativa. A reportagem, ao contrário, é ampla, investigativa e analítica. Vai além de informar: denuncia, questiona, discute. Para tanto, se vale de recursos visuais e textuais que se combinam em pontos estratégicos — gráficos, tabelas, fotos, vídeos, todos a serviço da narrativa.
Portanto, ser repórter é viver nessa fronteira entre o olhar e a palavra. É recolher fragmentos do mundo e oferecê-los de forma criativa, cativante, clara e precisa. Em resumo, é nesse gesto, repetido a cada pauta, que se revela o verdadeiro encanto da profissão: transformar o cotidiano em memória e dar às histórias o espaço que elas merecem.
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