Pensando sobre o papel do jornalismo na vida em sociedade, percebi que ele é muito mais do que apenas informar. Só o ato de informar já é, em si, uma função social. Afinal, uma notícia pode salvar vidas, denunciar injustiças, mostrar mundos desconhecidos, inspirar mudanças e dar voz a quem não é ouvido. O jornalismo é os olhos de quem não pode ver de perto, os ouvidos de quem não é escutado e a presença onde quase ninguém consegue estar.
Ele é, ao mesmo tempo, luz contra a ignorância e companhia no cotidiano. Seja pela previsão do tempo, pelo boletim de trânsito ou pela cobertura de grandes acontecimentos políticos, o jornalismo presta um serviço essencial: conectar pessoas à realidade que as cerca.
Um ofício que transita em todos os mundos
Não existe apenas um jornalismo. Há o comunitário, que se aproxima da vida de bairro; o investigativo, que escava verdades escondidas; o documental, que registra memórias; o de arte e cultura, que alimenta a alma; o político, que fiscaliza o poder; o esportivo, que emociona multidões. E ainda tantos outros.
Essa diversidade mostra como o jornalismo transita em todos os ambientes, dos gabinetes de Brasília às ruas de qualquer cidade do interior. Ele está nas grandes editorias, mas também na pequena nota que orienta sobre a vacinação do dia.
No fundo, a função social do jornalismo é informar com qualidade, fiscalizar o poder e sustentar o debate público. Ele existe para o interesse coletivo, não individual, e por isso contribui diretamente com a manutenção da democracia.
Entre o desgaste e a paixão
Não é fácil. A profissão atravessa tempos de desvalorização, de desconfiança e até de hostilidade. Dá trabalho, muito trabalho. Ainda assim, todo jornalista que conheço — e me incluo aqui — continua apaixonado pelo ofício. Porque, no fim, não existe outra profissão capaz de nos realizar tanto.
É curioso como muitos desprezam o jornalismo em discursos, mas, quando precisam de informação confiável, de espaço para uma denúncia ou de visibilidade para um problema, são justamente os jornalistas os primeiros a serem procurados. E nós atendemos, sempre. Não guardamos rancor, porque o compromisso não é com a vaidade pessoal, mas com a sociedade como um todo — incluindo os que gostam e os que não gostam de nós.
A satisfação de ver um problema solucionado após a publicação de uma reportagem não tem preço. É nesse momento que a função social do jornalismo se revela em toda sua força: servir ao coletivo.
Função social em sentido amplo
O conceito de função social não é exclusivo do jornalismo. No campo jurídico, por exemplo, ele aparece aplicado à propriedade ou aos contratos, sempre com a ideia de que nenhum direito deve existir apenas para benefício individual, mas para o bem-estar da coletividade.
O mesmo ocorre no jornalismo. Ele não pertence aos jornalistas, nem às empresas que o produzem. É um bem público. Cada matéria, cada investigação, cada nota de rodapé só faz sentido se contribuir para uma sociedade mais consciente, informada e justa.
E é justamente por isso que seguimos, apesar das dificuldades. Porque, no fim das contas, o jornalismo é uma profissão de fé: acreditar que a informação pode transformar vidas.
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