carreira e maternidade

Beijinhos nas mãos para conciliar maternidade e carreira

Conciliar carreira e maternidade é um grande desafio. A partir de amanhã, a minha rotina vai me deixar mais tempo fora de casa: pela manhã, na assessoria de imprensa da universidade, e à tarde, em uma TV local. É temporário, mas já sinto o impacto no relacionamento familiar.

O Joaquim, meu filho de cinco anos, sente a minha ausência quando passo longos períodos trabalhando. Desta vez, a situação ficou ainda mais evidente porque voltamos recentemente de uma viagem de férias. Foram dias inteiros juntos, sem relógio nem compromissos, e ele ainda não voltou para a escolinha. A adaptação, como sempre, cai primeiro no colo da mãe.

Para amenizar a despedida, inventamos um recurso que virou ritual: o batom vermelho. Todos os dias, antes de sair para trabalhar, eu marco beijos nas mãozinhas dele. O motivo é simples: deixar um pedacinho meu que ele possa guardar até eu voltar. 

Antes, era sempre a mesma cena dolorosa: “mamãe, não vai ‘taiaia’. Você ‘demola’. Fica comigo”. Desde que os beijos ficaram estampados na palma da mão, a separação se tornou menos sofrida para ele. Para mim, o coração continua apertado, mas a gente aprende a lidar com a saudade do jeito possível.

Entre o trabalho e o colo

Meu trabalho me realiza, me traz alegria e identidade. E tudo fica ainda melhor quando temos uma família que acolhe na volta para casa. O peso fica mais leve quando há suporte — e, felizmente, conto com a parceria do meu marido.

Durante quase dois anos, dediquei-me exclusivamente à maternidade. Foi maravilhoso, mas a parte profissional também faz falta. Quando decidi voltar ao mercado, percebi que não era igual. O mundo havia seguido seu ritmo, e eu também não era mais a mesma. Essa foi uma das razões pelas quais escolhi atuar como freelancer por períodos ou em trabalhos que me permitissem acompanhar ao máximo a infância do Joaquim.

Ainda assim, existe a separação. E, junto dela, a necessidade de criar formas de transmitir segurança à criança. Para ele, as marquinhas de batom funcionam como lembrança da minha presença. Para mim, restam as fotos, os vídeos e os registros que acalmam um pouco a saudade nos intervalos.

É por isso que eu uso batom vermelho todos os dias. Não é apenas vaidade, é afeto transformado em gesto. Cada marquinha deixada na mão do Joaquim é um beijo que não se apaga ao longo do dia, um recado silencioso de que a mãe está ali, mesmo quando não pode estar.

E, no fim do dia, é isso que a maternidade ensina: a inventar caminhos para equilibrar mundos que parecem opostos, porém que podem coexistir. Trabalho e maternidade não se anulam. Apenas pedem criatividade, parceria e muito coração.

A gente faz o que dá.

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