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A dona da pagina - Adriana Cardoso - Jornalista

A dona da página

Vou dedicar este post a apresentar-me, afinal até agora escrevi apenas sobre o nascimento deste blog. Convido-te a conhecer uma parte da minha história.

Pois bem. Vamos lá! Meu nome é Adriana e em alguns dias irei completar 40 anos de idade. Sou formada em comunicação social e jornalismo. Atuo na área há 16 anos. Por bastante tempo conciliei o trabalho formal (carteira assinada) aos freelancer. O que significava longas jornadas de expediente, incluindo plantões, feriados e fins de semana. Situação ideal para uma jovem solteira focada em construir uma carreira.

O tempo passou e a vida mudou de fase. Casei-me e tornei-me mãe. Por isso, hoje, opto por projetos mais curtos, horários flexíveis e que me permitam trabalhar em casa alguns dias da semana. No momento, cumpro um contrato temporário na assessoria de comunicação da Universidade Estadual de Maringá.

O trabalho como freelancer é desafiador. Embora exija mais planejamento financeiro e de tempo, é o modelo que mais se adequa ao estilo de vida que tenho agora. Dessa forma, consigo estar mais presente para meu filho Joaquim, de 5 anos de idade. A infância dele vai passar tão rápido e não quero perder nenhuma parte sequer.  A maternidade nunca esteve nos meus planos, mas já que aconteceu quero viver cada pedacinho dessa experiência. Todos os dias esforço-me para que o Joaquim tenha a melhor mãe que eu puder ser para ele.

Para termos mais tempo de qualidade em família, meu marido escolheu trabalhar apenas remotamente. Agora temos um escritório em casa. Aparentemente, não foi suficiente para o projeto família, então, há três anos decidimos trocar Brasília por Maringá, no Paraná. Apesar de compreender que a mudança foi necessária, ainda dói. É doloroso saber que não posso mais conviver com algumas pessoas ou trabalhar em certas empresas. Entendo que a vida muda, que novas prioridades surgem, que pessoas e trabalhos vão e vem, mas saber disso não diminui a dor e saudade da minha antiga vida.

Para mim a pior parte é que quanto mais o tempo passa menos enxergo a possibilidade de retorno. Já mudei muitas vezes de cidade, de emprego, de vida, a diferença é que em todas elas sentia-me pronta para tal. Sentia que era hora de encerrar o ciclo e de recomeçar. Não foi assim nesse caso. A mudança  foi por necessidade e não por minha vontade. Perder o controle é assustador. Recomeçar próximo aos 40 anos também é.

Sonhos de infância

Eu tinha dois sonhos de infância: tornar-me uma mulher independente e ser jornalista. Como boa capricorniana planejei meu caminho até os 30 anos. Idade que eu considerava o auge do adulto, a melhor fase da vida. Deu tudo certo, porém foi preciso enfrentar muitos obstáculos. Sou de uma família pobre, nunca passamos fome mas necessidades tínhamos aos montes.

Foram tantas dificuldades até realizar meus sonhos. Dificuldade financeira, dois anos de quimioterapia e radioterapia, pois tive câncer duas vezes enquanto cursava a faculdade de comunicação. E depois a batalha para conseguir trabalho na área sem muita experiência, e em seguida, um grande esforço para se manter e construir a carreira. Nem pestanejei quando tive a oportunidade de sair da segurança familiar no interior do Paraná e desbravar sozinha novos caminhos na cidade grande, até chegar em Brasília.

Foi sofrido e solitário em algumas situações mas em todas elas foi recompensador. Sinto muito orgulho da minha trajetória. Completei meus 30 anos de idade como planejei. E foi justamente nessa fase de aparente estabilidade que o destino me surpreendeu antes que eu pudesse desenhar os próximos 30 anos. Conheci um rapaz e estamos casados até hoje.

No começo fiquei perdida. O sentimento novo me desestabilizou. Não conseguia manter o foco na carreira profissional estando em um relacionamento amoroso. Adoeci. Tive uma forte crise de estresse. Fui demitida. Aproveitei a demissão para tirar um ano sabático e restabelecer minha saúde emocional.

Nessa pausa vieram os diagnósticos de transtorno de ansiedade generalizada, déficit de atenção e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (Tdah). Ou seja, combo completo. Começou então a fase de tratamentos com direito a terapia e muitos comprimidos para cada momento do dia.

Melhorei. A mente clareou. Fiz planos de retomar a minha vida de uma forma leve. Mas, aí fui surpreendida novamente. Descobri uma gravidez. Uma baita surpresa mesmo. Pois, de acordo com vários exames, a minha chance de engravidar de forma natural era mínima.

Trabalhei como freelancer até os cinco meses de gestação, quando a barriga começou a apontar. Quase ninguém sabia da gravidez. Contamos apenas para a família e amigos muito próximos. Decidi dar um tempo e me dedicar exclusivamente à maternidade. Um privilégio de poucos. Não deveria ser um privilégio, deveria ser um direito de todos que se propõe ao papel, pelo menos até que a criança complete um ano de vida.

Pois bem, quando o Joaquim completou um ano decidi que era hora de retornar ao trabalho. Comecei aos poucos. Nesse retorno, tive a triste experiência de sentir na pele que o mundo corporativo, que já não costuma ser tão amigável com as mulheres, pode ser ainda menos amistoso para com as mães. Por sorte, nesse mesmo mundo existe uma parcela significativa de pessoas maravilhosas capazes de compreender o potencial profissional de uma mãe. E foram essas pessoas lindas que abriram e reabriram portas para mim.

Não foi como eu imaginava. Depois da maternidade as coisas mudam muito. Não  tem como ter a mesma rotina de antes. A sobrecarga vem mesmo contando com a parceria do marido, o que também reconheço ser um privilégio, mas que não deveria ser privilégio, deveria ser obrigação de todo marido e pai.

Xeque-mate

Tínhamos apenas um ao outro naquele momento. Os desafios foram aumentando cada vez mais. Estava quase impossível os dois continuarem se dedicando a carreira sem negligenciar a criança. Até que o meu marido deu um basta. “Precisamos de ajuda”, disse ele. Depois de muita conversa concluímos que o melhor seria criar o Joaquim em uma cidade menor perto da minha família.

Inconformada e relutante em desistir do meu sonho de infância, eu quis tentar mais um pouco. Fui voto vencido. Por fim, concordamos em fazer apenas um teste. Nós ficaríamos no interior por seis meses, no máximo um ano. Ao que parece já passamos da fase de testes há bastante tempo. Afinal, já são três anos. Além disso, meses após nossa mudança de cidade a pandemia de covid19 chegou ao Brasil, fato que contribuiu para prolongar e perpetuar nossa estadia na nova morada.

Agora, cá chegamos ao momento atual, onde depois de três anos de luto pela mudança estou tentando adequar meus planos de carreira a nova fase da vida. Quando alguém me pergunta se já me adaptei a cidade, apenas respondo que aceitei, aceitei a realidade que a vida tem pra mim no momento, diante das escolhas que fiz anteriormente. Mas, estou disposta a dar uma chance ao recomeço. Pois, uma coisa é certa, qualquer renúncia que eu faça ou tenha que fazer pelo bem-estar do Joaquim vale à pena.

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